Como já adiantamos em nossos outros artigos, um intestino em chamas representa ameaça a outros cantos do corpo. "Tanto a doença de Crohn quanto a retocolite podem ocasionar manifestações fora desse órgão", afirma a cirurgiã do aparelho digestivo Angelita Habr-Gama, professora da Universidade de São Paulo e médica do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, na capital paulista. E, por incrível que pareça, às vezes um sinal na periferia aparece antes mesmo do rebuliço dentro da barriga. "Há pessoas com dores nas articulações motivadas pelo problema que só apresentam mais tarde os sintomas no intestino", conta Dídia Cury. Essa situação nos permite imaginar a dificuldade em fazer o diagnóstico precoce.
Você sabia que é possível emagrecer sem dieta?
Veja mais sobre emagrecimento em www.corposaudavel.org
As doenças inflamatórias não poupam os olhos, o fígado nem os rins. Até cálculo renal elas patrocinam! "Nessas condições, há muita perda de líquido por causa das diarreias e um aumento na absorção de oxalato, substância que, na urina, pode se transformar em cristal", explica o nefrologista Nestor Schor, da Universidade Federal de São Paulo, a Unifesp (confira o esquema à direita).
O estado nutridonal também é abatido. "Dependendo da região do intestino afetada, temos um prejuízo na absorção de vitaminas e outros nutrientes", observa o gastroenterologista Renato Duffles Martins, também da Unifesp. São razões de sobra para procurar um especialista se houver suspeita de um dos males.
"Para fecharmos o diagnóstico, recorremos a exames de imagem, de sangue e métodos como a colonoscopia", informa Dídia. Detectado o martírio, a ciência dispõe de meios cada vez mais eficazes para controlá-lo (veja o quadro abaixo). "É difícil falar na cura dessas doenças, mas estamos aprendendo melhor o papel da flora intestinal e como suas alterações repercutem no processo inflamatório", avalia Alan Moss. Aliado ao tratamento e ao acompanhamento médico, o estilo de vida pode intensificar o socorro ao intestino — daí a recomendação de seguir um cardápio equilibrado, praticar atividade física, aliviar o estresse e não fumar. "Se o problema está controlado, o indivíduo pode levar uma vida normal", diz Angelita. Só é preciso ficar atento para que o incêndio permaneça apagado.
Há um extenso arsenal terapêutico contra as doenças inflamatórias intestinais. "Mas a resposta ao tratamento varia muito entre os pacientes" Já adianta Angelita Gama. A primeira frente de batalha é
composta de drogas como as mesalazinas e os corticoides. Quando elas não funcionam, entram em cena os medicamentos imunossupressores. Se esses deixam a desejar, a solução é recrutar a terapia biológica. "São injeções que anulam uma substância inflamatória em alta no organismo e, assim,
domam a inflamação exacerbada no intestino", explica Dídia Cury. "Essas drogas mudam, de fato, o curso da doença." Mas e se todos os fármacos falharem? "Nesse caso, a solução se encontra em cirurgias que podem ressecar ou remover a área acometida pelo problema", afirma Angelita.
domam a inflamação exacerbada no intestino", explica Dídia Cury. "Essas drogas mudam, de fato, o curso da doença." Mas e se todos os fármacos falharem? "Nesse caso, a solução se encontra em cirurgias que podem ressecar ou remover a área acometida pelo problema", afirma Angelita.
